Morre o empresário Denisar Arneiro.

Barra Mansa- O empresário Denisar Arneiro, de 90 anos, morreu na manhã desta segunda-feira (31). O corpo será velado no Cemitério Memorial do Carmo, na Zona Central do Rio de Janeiro, a partir das 17h. O enterro está marcado para terça-feira (1º), às 17h no mesmo local. Ele estava internado num hospital do Rio, com pneumonia, e não resistiu. Denisar ficou internado durante 30 dias.

Denisar era dono da transportadora Sideral, foi deputado federal e secretário Estadual de Transportes. Ele era casado e deixa filhos e netos. Ainda não foi divulgada a causa da morte do empresário.

Trajetória 

Denisar de Almeida Arneiro nasceu em Três Rios (RJ) no dia 28 de junho de 1927, filho de José Domingues Arneiro e de Raulina Lacerda Arneiro. Depois de concluir seus primeiros estudos, trabalhou como bancário e cursou o Instituto Técnico de Contabilidade Bancária, em São Paulo, concluindo-o em 1948.

Iniciou sua trajetória política no início da década de 1960, participando, em Barra Mansa (RJ), da comissão executiva do diretório municipal do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Em outubro de 1965, através do Ato Institucional nº 2, o governo militar instaurado no país em abril de 1964 extinguiu os partidos políticos, adotando posteriormente o sistema bipartidário. Arneiro foi, então, fundador e presidente em Barra Mansa do Movimento Democrático Brasileiro (MDB), partido de oposição ao regime.

Empresário do ramo de transportes, foi fundador da Transportadora Cimetal S.A., fundador e diretor da Transporte Comercial de Ferro S.A., fundador e diretor-gerente da Transportes Arneiro Ltda., e fundador e diretor-presidente da Transporte Sideral S.A., em Barra Mansa. Em 1967, passou a integrar a Associação Nacional das Empresas de Transportes Rodoviários de Cargas — de cujo conselho superior chegou a ser presidente — junto ao Ministério dos Transportes. Na condição de membro da entidade, fez um curso de liderança sindical no Ministério do Trabalho e Previdência Social em 1968. Nos anos seguintes, chefiou várias delegações brasileiras em congressos internacionais no setor de transportes rodoviários, como os XII e XIII congressos da International Road Transport Union, realizados, respectivamente, em Haia, na Holanda, em 1970, e em Lisboa, em 1972. Em 1973, assumiu a presidência da Associação Nacional das Empresas de Transporte de Carga.

Com o fim do bipartidarismo, em novembro de 1979, e a conseqüente reformulação partidária, ingressou no Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), agremiação que sucedeu o MDB, de cuja comissão executiva foi membro.

Em 1980 assumiu a presidência do Instituto Nacional dos Transportadores do Aço e, no ano seguinte, tornou-se representante do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro junto à Federação das Empresas de Transportes Rodoviários. Ocupou esses dois cargos até 1982.

No pleito de novembro de 1982 elegeu-se deputado federal pelo Rio de Janeiro, sendo empossado em fevereiro seguinte. Durante os trabalhos legislativos, foi primeiro vice-presidente da Comissão de Transportes, vice-líder da bancada do partido e suplente das comissões do Interior e de Economia, Indústria e Comércio da Câmara. Como deputado, apresentou uma proposta de extinção do imposto sobre serviços de transporte no translado rodoviário de carga, e foi o autor do projeto que limitou o acesso de multinacionais ao transporte de carga no Brasil.

Em 25 de abril de 1984, votou a favor da emenda Dante de Oliveira que, apresentada na Câmara dos Deputados, propôs o restabelecimento das eleições diretas para presidente da República em novembro daquele ano. Como a emenda não obteve a votação necessária para ser encaminhada ao Senado, decidiu apoiar, no Colégio Eleitoral reunido em 15 de janeiro de 1985 para escolher o novo presidente do país, a chapa vitoriosa Tancredo Neves/José Sarney lançada pela Aliança Democrática, coligação do PMDB com a dissidência do Partido Democrático Social (PDS) denominada Frente Liberal. Eleito com uma expressiva vitória sobre o candidato governista Paulo Maluf, Tancredo, no entanto, não chegou a ser empossado em 15 de março seguinte. Gravemente enfermo, foi substituído interinamente na presidência por seu vice José Sarney. Em 21 de abril de 1985, com a morte do presidente eleito, Sarney foi efetivado na chefia do Executivo.

Obtendo a maioria de seus votos em Barra Mansa, Denisar Arneiro elegeu-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte, na legenda do PMDB, no pleito de novembro de 1986. Empossado em fevereiro do ano seguinte, participou dos trabalhos constituintes como membro titular da Subcomissão dos Municípios e Regiões, da Comissão da Organização do Estado; e, como suplente, da Subcomissão da Questão Urbana e Transporte, da Comissão da Ordem Econômica.

Nas principais matérias em pauta, votou a favor da pena de morte, da legalização do aborto, da pluralidade sindical, do presidencialismo, da anistia aos micro e pequenos empresários, do mandato de cinco anos para Sarney e da legalização do jogo do bicho. Votou contra o rompimento de relações diplomáticas com países de orientação racista, a limitação do direito de propriedade privada, o mandado de segurança coletivo, a remuneração 50% superior para o trabalho extra, a jornada semanal de 40 horas, o turno ininterrupto de seis horas, o aviso prévio proporcional, a soberania popular, o voto facultativo aos 16 anos, a nacionalização do subsolo, a estatização do sistema financeiro, a limitação para os encargos da dívida externa, a desapropriação da propriedade produtiva e a estabilidade no emprego. Absteve-se nas votações do limite de 12% ao ano para os juros reais e da proibição do comércio de sangue. Com a promulgação da nova Carta em 5 de outubro de 1988, continuou no exercício de seu mandato ordinário como deputado federal.

Ainda em 1988 foi responsável pela criação do Sest Senat, projeto de lei de sua autoria 868/1988.

Em janeiro de 1990, licenciou-se da Câmara para assumir a secretaria de Transportes do Rio de Janeiro, no governo de Wellington Moreira Franco (1987-1991), cargo que ocupou até o final da gestão de Moreira, em 15 de março de 1991. Após deixar a administração estadual, retomou suas atividades na Transportes Sideral.

No pleito de outubro de 1998, candidatou-se a deputado federal pelo Rio de Janeiro na legenda do Partido da Frente Liberal (PFL), não obtendo êxito.

Família 

Denisar casou pela primeira vez, em 1949, com a senhora Nilce Duarte Arneiro, com quem teve dois filhos, Dilson Duarte Arneiro, em 1950 (falecido) e Dalton Duarte Arneiro nascido em 1952. O segundo casamento com Ruth Luiza Heser com quem teve um filho, Denisar Heser Arneiro, nascido em 1958. E o terceiro casamento com Terezinha Pereira Gonçalves Coelho Arneiro, no qual não teve filhos.

O empresário criou ainda seus filhos de coração da segunda esposa Ruth Heser, Julio César Heser Ferreira e Marco Aurélio Ferreira. Da primeira esposa Nilce, ele ajudou a criar Valéria Duarte Barozzi e com a terceira esposa Terezinha, criou sua única filha Maria Cristina Pereira Coelho Nauerth.

 

Fonte: diariodovale.com.br