Muitas vezes, a espiritualidade é vista como uma lista de pedidos. Já parou para analisar o que realmente acontece quando fazemos uma oração?
Por Dianna Moura / @diannamoura_selfterapias
12 de Maio de 2026 às 07:00
Essa semana assisti um vídeo do mestre Sadhguru e ele nos traz uma perspectiva provocadora e, de certa forma, bem-humorada sobre a nossa relação com o divino. Ele começa com uma definição contraintuitiva: "Rezar significa que você está dizendo a Deus o que fazer".
Pense nisso por um segundo. Quando rezamos pedindo saúde, dinheiro ou que algo aconteça do nosso jeito, estamos agindo como se fôssemos "consultores de Deus". É como se o Criador de todo o universo precisasse de um conselho nosso sobre como gerir a existência. É uma postura que, embora pareça devota, está profundamente enraizada no nosso ego.
Em contraste com a oração, Sadhguru apresenta a meditação. Para ele, meditar não é pedir, é reconhecer. É o momento em que você finalmente entende as suas limitações e decide, nas palavras dele, "simplesmente calar a boca". Não se trata apenas de um silêncio verbal, mas de um silêncio em todos os níveis. É interromper o fluxo constante de desejos, opiniões e "ideias geniais" que tentamos impor à realidade.
Ele argumenta que, se você conseguir atingir esse estado de quietude total, tudo o que precisa acontecer com você, acontecerá. A vida flui melhor quando paramos de tentar pilotar o que já é perfeito por natureza.
O ponto mais profundo da fala é quando ele nos coloca no nosso devido lugar dentro da vastidão da existência. Sadhguru diz que não faz sentido se colocar diante da "base da criação" e arremessar suas ideias mesquinhas contra ela.
A lógica é simples e esmagadora: Nós somos uma ideia de Deus. Nós somos apenas um "fragmento" ou uma "figura" no pensamento do Criador. Se o Criador retirar essa ideia, nós simplesmente deixamos de existir. Como pode o pensamento querer ensinar o pensador? Como pode a imagem querer dar instruções ao artista?
A essência da meditação, portanto, é a humildade. É o abandono da arrogância de achar que sabemos o que é melhor para o universo.
Ao "calar a boca" e silenciar o ego, deixamos de ser barulhentos para nos tornarmos receptivos. A mensagem de Sadhguru é um convite para pararmos de jogar nossas "ideias bobas" no Criador e passarmos a experimentar a vida a partir do silêncio.
Afinal, na quietude absoluta, não precisamos pedir nada; nós apenas pertencemos.
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