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A Ilusão da "Mesma Família": Por que cada irmão tem uma infância única?...
Muitas vezes ouvimos pais dizerem: "Eu dei a mesma educação a todos os meus filhos, não entendo por que são tão diferentes"...
Por Dianna Moura / @diannamoura_selfterapias
13 de Maio de 2026 às 07:00
Ou então, vemos irmãos que cresceram sob o mesmo teto, mas que têm memórias e traumas completamente opostos.
O Dr. Gabor Maté, médico familiar, desmonta o mito da "família única". Ele afirma categoricamente: nenhum irmão cresce na mesma casa, com os mesmos pais ou na mesma família. Embora o endereço postal seja o mesmo, a experiência emocional é subjetiva e muda drasticamente de filho para filho.
Mas como é que isto é possível? O Dr. Maté aponta vários fatores que transformam o ambiente familiar ao longo do tempo:
A Ordem de Nascimento: Os pais que recebem o primeiro filho são inexperientes, muitas vezes ansiosos e "aprendizes". Quando chega o segundo ou o terceiro, os pais já são pessoas diferentes — mais relaxadas, talvez mais cansadas, ou com menos tempo disponível.
A Fase da Relação: O casamento dos pais não é uma constante. Um filho pode nascer numa fase de lua-de-mel e estabilidade, enquanto outro pode chegar durante uma crise financeira ou um período de conflito conjugal.
Diferenças de Género: Inconscientemente, a sociedade e os próprios pais podem reagir de forma distinta a rapazes e raparigas, moldando a liberdade e as expectativas de cada um.
O ponto mais crucial que o Dr. Maté levanta é sobre o temperamento. Cada criança nasce com uma personalidade única que "evoca" uma resposta diferente nos pais.
Como ele explica, uma criança não experiencia o "amor abstrato" dos pais; ela experiencia como o pai ou a mãe se manifestam no momento. Se uma criança é mais calma, pode evocar paciência; se é mais desafiadora, pode evocar irritação num pai que já está estressado. Mesmo que um pai tentasse ser rigorosamente igual com todos — o que é impossível — os filhos continuariam a ter "pais diferentes", porque cada um filtra a presença dos pais através do seu próprio temperamento.
Compreender esta teoria é fundamental para a cura de traumas e para a harmonia familiar. Muitas vezes, um irmão sente-se culpado ou invalidado por ter sofrido numa casa onde o outro irmão parece ter sido feliz.
O que o Dr. Gabor Maté nos ensina é que ambas as verdades podem coexistir. Aceitar que cada irmão viveu numa "micro-família" diferente permite-nos ter mais empatia uns pelos outros. Não se trata de culpar os pais, mas de reconhecer que a infância não é um cenário estático, mas sim um rio que flui e que nunca é o mesmo para quem nele mergulha.
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