Vivemos o ápice de uma era que nos prometeu o mundo na palma da mão...
Por Dianna Moura / @diannamoura_selfterapias
27 de Maio de 2026 às 07:00
Nos disseram que o segredo do sucesso, da felicidade e da relevância estava em uma única palavra: conectar. "Engaje nas redes", "seja um criador", "mostre o seu valor".
E nós aceitamos o convite. Entramos no picadeiro digital com o vigor de quem finalmente encontrou a chave para não ser esquecido. Mas, existe uma crise silenciosa acontecendo agora mesmo: a crise da presença. Transformamo-nos em uma geração hiperconectada, mas profundamente ausente da própria vida.
O mantra que nos guia é cruel: "Quem não é visto, não é lembrado". Fomos convencidos de que, se não postarmos o nosso café, o nosso treino ou a nossa conquista, eles simplesmente não existiram. A visibilidade tornou-se a nossa moeda de troca, e o medo de ficar "fora do mercado" nos transformou em operários de uma fábrica de conteúdos.
Nós aumentamos a nossa presença digital. Criamos perfis, atualizamos status, geramos engajamento. Cumprimos o protocolo. Mas, a que custo? No esforço de sermos lembrados por estranhos em uma tela, quem é que estamos esquecendo de ser para nós mesmos e para quem está ao nosso lado?
Vivemos em uma performance constante. O espetáculo não pode parar. Precisamos estar sempre "on", sempre em movimento, sempre produzindo. Tornamo-nos personagens de nós mesmos, editando as nossas dores e filtrando as nossas verdades para que caibam no algoritmo.
Essa "Geração Ausente" é composta por pessoas que estão fisicamente presentes em uma mesa de jantar, mas cujas mentes estão viajando por feeds infinitos. Estamos presentes nos pixels, mas ausentes no toque, no olhar e no silêncio. Criamos uma presença onipresente que, ironicamente, resulta em uma ausência absoluta de profundidade.
Precisamos sair desse transe coletivo. A verdadeira crise não é a falta de conexão Wi-Fi, é a falta de conexão humana e autêntica. Ser lembrado pelo mercado é importante, mas ser lembrado por quem você é — e não pelo que você posta — é o que dá sentido à existência.
Não deixe que a necessidade de "ser visto" apague a sua capacidade de "ver". A vida real acontece nos intervalos das postagens, nos momentos que não têm filtro e nas conversas que não geram métricas. Que possamos ter a coragem de ser um pouco menos "vistos" pelo mundo e muito mais presentes em nossas próprias vidas. Afinal, o melhor espetáculo é aquele que a gente vive, e não aquele que a gente apenas transmite.
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