Todos nós já passamos por períodos em que a vida parece pesada demais.
Por Dianna Moura / @diannamoura_selfterapias
01 de Julho de 2026 às 07:00
Você olha para a sua lista de tarefas, para os seus projetos e para a energia das pessoas ao seu redor, e sente que está ficando para trás. Nesses momentos, a nossa voz interna costuma ser impiedosa. Começamos a nos rotular com a palavra "preguiça".
Sentimos culpa por não estarmos produzindo, por não estarmos "no topo do nosso jogo". A escritora Mel Robbins costuma falar a frase de seu terapeuta que tem o poder de desarmar essa bomba de autossabotagem: "Você não é preguiçoso. Você tem uma certa quantidade de energia agora, e você está usando cada gota dela apenas para sobreviver."
A "produtividade" é o que sobra depois que as nossas funções básicas de vida são atendidas. O problema é que, muitas vezes, não percebemos o quanto de energia gastamos apenas para manter a cabeça fora d'água. Sobreviver não é apenas manter o coração batendo.
Sobreviver é processar um luto ou uma decepção.
Sobreviver é lidar com uma ansiedade crônica ou um ambiente de trabalho tóxico.
Sobreviver é tentar manter a calma enquanto tudo ao seu redor parece incerto.
Para o cérebro, essas tarefas emocionais são prioridade máxima. Se você está passando por uma fase difícil, o seu "combustível" está sendo drenado por processos internos invisíveis. O que as pessoas veem de fora como "falta de ação" é, na verdade, um esforço intenso por dentro para não desmoronar.
Quando você se chama de preguiçoso, você adiciona um peso extra a uma carga que já está insuportável. A autocrítica consome ainda mais da sua energia limitada. É um ciclo vicioso: você se sente cansado, se culpa por estar cansado, e a culpa te deixa mais exausto.
O caminho é mudar a lente. Em vez de perguntar "Por que eu não consigo fazer isso?", tente se perguntar: "O que está consumindo a minha energia agora?". Reconhecer que você está em "modo de sobrevivência" é o primeiro passo para a recuperação. Você não precisa de mais disciplina; você precisa de mais descanso e menos julgamento.
Talvez a melhor coisa que você pode fazer por si mesmo hoje é aceitar que a sua capacidade atual é o que é. Não se compare com a versão de você que estava bem há seis meses, nem com a versão "perfeita" que você vê nas redes sociais.
Se você está usando toda a sua energia para sobreviver hoje, parabéns. Isso não é preguiça; é coragem. É o trabalho silencioso de quem está mantendo a base firme para que, no futuro, quando a tempestade passar, haja energia de sobra para voltar a voar. Por enquanto, seja gentil com quem você é agora. A sobrevivência é, em si, uma grande vitória.
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