Vivemos em uma cultura que, historicamente, valoriza a mulher "boazinha", a mulher que cuida, que acolhe e, acima de tudo, a mulher que não causa problemas...
Por Dianna Moura / @diannamoura_selfterapias
04 de Julho de 2026 às 07:00
Vivemos em uma cultura que, historicamente, valoriza a mulher "boazinha", a mulher que cuida, que acolhe e, acima de tudo, a mulher que não causa problemas. O renomado medico Dr. Gabor Maté nos diz que existe um treinamento invisível, mas onipresente: as mulheres são ensinadas a não dizer "não".
Dizer "não" é visto como um ato de egoísmo ou agressividade, quando, na verdade, deveria ser visto como um limite necessário para a integridade do eu. Esse condicionamento para agradar e silenciar as próprias necessidades não é apenas uma característica de personalidade; é uma carga cultural que tem um preço altíssimo.
Maté traz um dado científico que deveria nos fazer parar e repensar todas as nossas interações. Ele cita um estudo que acompanhou 2.000 mulheres durante um período de 10 anos. O foco não era apenas a felicidade delas, mas o impacto físico dessa felicidade — ou da falta dela.
O resultado foi alarmante. O estudo analisou mulheres que estavam em casamentos infelizes e dividiu-as em dois grupos:
Aquelas que expressavam seus sentimentos, suas frustrações e suas verdades.
Aquelas que silenciavam, que guardavam tudo para si e fingiam que estava tudo bem para manter a paz doméstica.
O grupo das mulheres que não expressavam seus sentimentos teve uma taxa de mortalidade quatro vezes maior do que as mulheres que, embora também infelizes, falavam o que sentiam.
O que isso nos diz? Diz que o nosso corpo e a nossa mente não são compartimentos separados. Quando você suprime uma emoção, você não a faz desaparecer; você a enterra no seu sistema biológico.
O estresse crônico de viver uma vida inautêntica, de sorrir quando se quer gritar, de dizer "sim" quando todo o seu corpo grita "não", desregula o sistema imunológico, aumenta a inflamação e nos torna vulneráveis a doenças graves. O silêncio não é apenas uma escolha social; ele se torna um veneno fisiológico.
A lição final que Gabor Maté nos deixa é urgente: expressar o que sentimos não é um luxo ou uma falta de educação. É uma necessidade de saúde pública. Precisamos desaprender esse treinamento cultural que nos obriga a ser agradáveis às custas da nossa própria vida. Aprender a dizer "não", aprender a colocar limites e, principalmente, aprender a dar voz à nossa verdade interior é, em última análise, um ato de autopreservação.
Se você está guardando algo para manter a paz ao seu redor, pergunte-se: a que custo? Porque, como a ciência mostra, o preço da paz externa pode ser a sua própria existência. Comece a falar. Sua vida depende disso.
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