Muitas vezes, na pressa do dia a dia ou movidos pelo desejo genuíno de proteger e agradar...
Por Dianna Moura
08 de Julho de 2026 às 07:00
Muitas vezes, na pressa do dia a dia ou movidos pelo desejo genuíno de proteger e agradar, os pais acabam assumindo tarefas que pertencem aos filhos. Há uma tendência natural em querer facilitar as coisas: o sapato que está difícil de amarrar, a blusa que precisa ser guardada ou a toalha molhada em cima da cama. No entanto, o que parece um gesto de carinho e cuidado pode, a longo prazo, se transformar em um obstáculo invisível para o desenvolvimento emocional e a autonomia dos jovens.
Quando os pais tomam para si todas as pequenas responsabilidades, as crianças crescem dependentes do suporte externo para tarefas cotidianas banais. Na infância, esse comportamento passa despercebido, mas ao atingir a adolescência, a conta chega. Um jovem que não aprendeu a lidar com as próprias frustrações ou a assumir o controle de seus pertences pode desenvolver uma revolta silenciosa contra os próprios pais. Eles passam a desejar a liberdade do mundo exterior, mas percebem que não possuem as ferramentas necessárias para navegar por ele de forma segura. Sem o senso de autorresponsabilidade, a liberdade recém-adquirida pode se transformar em atitudes impulsivas ou negligentes.
A construção da autorresponsabilidade é um processo que deve começar cedo. Se uma criança de três ou quatro anos já é perfeitamente capaz de realizar uma atividade, os adultos devem resistir ao impulso de intervir apenas para poupá-la do trabalho. A verdadeira criação para o mundo consiste em delegar obrigações adequadas para cada faixa etária, permitindo que os filhos cometam erros e encontrem soluções para os seus próprios problemas. Se houver um imprevisto — como ficar sem roupas limpas para ir à escola —, o papel do jovem deve ser o de buscar ajuda para resolver o problema, e não transferir a culpa e o peso da situação para os pais.
Para mudar essa dinâmica, cabe aos pais fazerem uma reflexão diária e honesta: "O que eu estou fazendo pelo meu filho hoje que ele já é capaz de fazer por si mesmo?". Se a desculpa para manter o controle é a falta de acessibilidade ou a complicação de uma tarefa, a solução ideal não é fazer por ele, mas sim adaptar o ambiente. Ajustar a altura de um varal para que a toalha possa ser estendida ou mudar a organização dos brinquedos são maneiras práticas de facilitar a autonomia sem anular o esforço do jovem. Educar para a independência exige paciência para permitir o erro e firmeza para manter os limites, garantindo que os filhos se transformem em adultos preparados e seguros de suas próprias capacidades.
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