Muitas vezes, olhamos para a nossa vida adulta e nos deparamos com comportamentos que simplesmente não conseguimos compreender...
Por Dianna Moura
28 de Julho de 2026 às 07:00
Muitas vezes, olhamos para a nossa vida adulta e nos deparamos com comportamentos que simplesmente não conseguimos compreender. Agimos de forma impulsiva, repetimos erros antigos e, quando nos damos conta, estamos seguindo um roteiro que parece não ter sido escrito por nós. A verdade por trás disso é profunda e, ao mesmo tempo, libertadora: sempre há como mudar, mas primeiro precisamos entender o que nos move.
Tudo começa na infância. É nessa fase que desenvolvemos uma repetição compulsiva, algo que fazemos de forma totalmente automática porque está enraizado no mais profundo do nosso inconsciente. Se pararmos para analisar a nossa própria história, o cenário se torna claro: nós aprendemos a ser cem por cento do que os nossos pais foram. É como se herdássemos metade do nosso pai e metade da nossa mãe. Biologicamente, pelo DNA, somos essa soma; mas em nível de comportamento, no inconsciente familiar, o padrão se repete da mesma forma.
A grande ilusão da vida adulta é acreditar na frase: "Eu só aprendi com os meus pais, mas agora eu mudei". Isso, na maioria das vezes, é uma mentira que contamos a nós mesmos. Desse legado de cem por cento que recebemos, o nosso consciente utiliza apenas uma pequena fração na rotina do dia a dia — cerca de sete a dez por cento. Mas onde está o resto? Os outros noventa e três por cento continuam lá, escondidos de nós, comandando as nossas ações a partir da sombra.
É por isso que, às vezes, choramos com coisas que não parecem fazer sentido para os outros, ou suamos de susto diante de algo que para outra pessoa é banal. O que nos tocou não foi o presente, foi um gatilho que acionou uma memória escondida no nosso passado. Nós somos seres incrivelmente plurais. Carregamos dores, competências e medos que nem sabemos que existem, mas que estão constantemente em funcionamento dentro de nós.
A boa notícia que o autoconhecimento nos traz é que não precisamos ficar prisioneiros daquilo que aprendemos no passado. O escritor Bob Hoffman dizia que nós somos centrais geradoras de energia. O problema é que, quando não temos consciência, geramos a energia errada, atraindo situações e repetindo dinâmicas que nos fazem sofrer, sem sequer sabermos o porquê.
Para mudar esse ciclo, é necessário ir mais fundo. É preciso cavar o que está escondido e trazer essas verdades para a luz do dia. O nosso cérebro é maleável e altamente treinável. Através do autoconhecimento e de um treino consciente, podemos ensinar a nossa mente a funcionar de uma forma completamente diferente.
A mudança não acontece por mágica; acontece quando decidimos assumir o controle dos noventa e três por cento que nos governam e, finalmente, escolhemos quem queremos ser.
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