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Notícias→Dicas Fiscais→Você sabe quanto custa manter sua empresa funcionando por 30 dias?
Imagem: Real Fm

Você sabe quanto custa manter sua empresa funcionando por 30 dias?

Conhecer o faturamento é importante, mas não suficiente...

Por Renato Ritton
25 de Agosto de 2026 às 08:30

Conhecer o faturamento é importante, mas não suficiente. O empresário precisa saber quanto custa sustentar sua estrutura todos os meses para decidir quanto vender, investir, contratar e preservar em caixa.

Muitos empresários sabem dizer de cabeça quanto a empresa faturou no último mês.

R$ 100 mil, R$ 200 mil, R$ 500 mil.

Mas uma pergunta igualmente importante costuma ser bem mais difícil de responder:

Quanto custa manter sua empresa funcionando durante 30 dias?

Não estamos falando apenas de quanto a empresa gastou no mês passado. A questão é entender o tamanho da estrutura que precisa ser sustentada continuamente.

Folha de pagamento, encargos, aluguel, energia, sistemas, contabilidade, telefone, internet, seguros, parcelas, despesas administrativas, impostos e outros compromissos continuam existindo independentemente de o mês ter sido excelente ou fraco.

Conhecer esse número muda a qualidade das decisões empresariais.

“Deve custar” não é informação financeira

Imagine uma empresa que fatura, em média, R$ 200 mil por mês.

O empresário conhece perfeitamente esse número.

Quando perguntado sobre quanto custa manter sua operação, porém, responde:

“Deve dar uns R$ 120 mil ou R$ 130 mil.”

Para administrar uma empresa, essa diferença não é pequena.

E, principalmente, “deve dar” não é informação financeira.

Existe uma parte dos gastos que acompanha diretamente o volume de vendas. Se a empresa vende mais, pode precisar comprar mais mercadorias, pagar mais comissões, aumentar fretes ou assumir outros custos relacionados à operação.

Mas existe outra parte da estrutura que permanece.

A folha vence.

O aluguel vence.

Os sistemas precisam ser pagos.

As parcelas continuam chegando.

A empresa possui uma estrutura que custa dinheiro simplesmente para continuar funcionando.

Toda nova estrutura precisa se pagar

Conhecer esse custo também muda a maneira de analisar crescimento.

Suponha que apareça a oportunidade de contratar mais dois funcionários.

A pergunta não deveria ser apenas:

“Tenho dinheiro para pagar esses salários este mês?”

A questão mais importante é:

“Minha operação consegue absorver permanentemente esse novo custo?”

O mesmo raciocínio vale para mudar para uma sala maior, financiar um equipamento, comprar um veículo, contratar outro sistema ou assumir uma nova assinatura.

Separadamente, cada decisão pode parecer pequena.

O problema aparece quando todas elas são acumuladas.

Pouco a pouco, a estrutura cresce. Se o resultado não acompanhar esse movimento, a margem começa a ser consumida.

A DRE não deveria ficar esquecida na contabilidade

Uma ferramenta importante para essa análise é a Demonstração do Resultado do Exercício, a DRE.

O empresário não precisa ser contador para começar a utilizá-la.

É possível observar quanto a empresa faturou, quanto consumiu em custos e quanto gastou para sustentar sua estrutura.

Mais importante ainda é comparar vários meses.

As despesas estão crescendo mais rápido do que o faturamento?

A folha aumentou?

Novos compromissos mensais foram incorporados?

A estrutura está ficando mais cara sem produzir resultado proporcional?

Quando os números são acompanhados dessa maneira, a contabilidade deixa de servir apenas para cumprir obrigações e passa a contribuir para decisões.

Quanto sua empresa precisa vender antes de começar a produzir resultado?

Conhecer o custo da estrutura ajuda também a entender quanto a empresa precisa gerar de margem para cobrir suas despesas antes de começar efetivamente a produzir resultado.

Esse raciocínio é importante porque o dinheiro das primeiras vendas do mês não deve ser confundido automaticamente com dinheiro disponível para o empresário.

Antes de existir resultado, existe uma operação inteira que precisa ser sustentada.

É por isso que uma empresa pode apresentar um faturamento aparentemente elevado e ainda assim possuir uma estrutura pesada demais para o resultado que produz.

Empresa também precisa pensar em proteção financeira

Existe ainda outra consequência prática.

Se o empresário conhece quanto custa manter sua empresa durante 30 dias, consegue começar a discutir de maneira racional o tamanho da proteção financeira necessária para o negócio.

Quanto tempo a empresa conseguiria funcionar diante de uma queda relevante nas vendas?

Quinze dias?

Um mês?

Dois meses?

Não existe um número universal que sirva para todas as empresas. A necessidade depende da operação, dos riscos, da previsibilidade das receitas e da situação financeira de cada negócio.

O importante é conhecer o risco.

Faça essa conta na sua empresa

Uma análise inicial pode ser feita utilizando os últimos três meses.

Levante os gastos necessários para manter a operação e separe aquilo que varia diretamente conforme as vendas daquilo que permanece mesmo quando o faturamento diminui.

Depois, observe a média e responda:

Quanto custa um mês da minha empresa?

Esse número ajuda a discutir quanto a empresa precisa vender, quanto pode investir, qual estrutura consegue sustentar, quanto deveria preservar em caixa e até quanto os sócios podem retirar sem enfraquecer o negócio.

Faturamento é uma informação fundamental.

Mas ele conta apenas uma parte da história.

O empresário também precisa conhecer o tamanho da estrutura que precisa sustentar todos os meses.

E, se o financeiro da empresa ainda não consegue responder quanto custa mantê-la funcionando durante 30 dias, existe um bom lugar para começar a organizar os números.

Renato Ritton
Contador e Mentor de Empresários
Dicas Fiscais — Real FM

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