Já se perguntou se existe algo neste mundo com o qual os seres humanos não consigam sofrer?
Por Dianna Moura
28 de Outubro de 2026 às 07:00
Se a pessoa é pobre, ela sofre pela miséria e pela falta de recursos. Se fica rica, passa a sofrer com a cobrança de impostos e com o medo de perder o patrimônio. Se não tem acesso à educação, sofre pela falta de oportunidades; se vai para a escola ou para a universidade, sofre com a pressão dos estudos e a ansiedade dos exames.
O mesmo acontece nos relacionamentos. Quem é solteiro sofre pela solidão; quem se casa sofre com os desafios da convivência. Quem não tem filhos sofre com o vazio; quem os tem, sofre diariamente com as preocupações da criação.
Parece que o ser humano encontrou uma forma de transformar absolutamente qualquer aspecto da vida em uma fonte de dor.
Se o sofrimento está presente na pobreza e na riqueza, na solteirice e no casamento, na ausência e na presença de filhos, a questão é óbvia: o problema nunca esteve nas circunstâncias externas.
E se a solução oferecida fosse a própria morte? Será que a pessoa aceitaria com alegria? Obviamente não, porque também sofreria diante da própria finitude. Para combater esse mal-estar constante, a humanidade criou grandes filosofias e frases consoladoras, como: "Viver é sofrer". Mas essa é apenas mais uma armadilha da mente.
Como lembra Sadhguru, a vida em si não é sofrimento — e tampouco é alegria pura. A vida é simplesmente um fenômeno. Ela está apenas acontecendo.
A existência é como uma onda gigantesca no oceano. Ela não tem a intenção de nos destruir, nem a intenção de nos abençoar. Ela é neutra, grandiosa e contínua.
O sofrimento não nasce da vida em si, mas da forma como nós nos posicionamos diante dela. Se você se deixa esmagar por essa onda, a experiência de viver será terrível, dolorosa e sufocante.
Por outro lado, se você aprender a ter clareza, equilíbrio e presença consciente, você não será esmagado. Você aprenderá a surfar a onda da existência. E quando você aprende a navegar pela vida em vez de lutar contra ela, a experiência torna-se fantástica.
O sofrimento não é uma regra da existência; é apenas a consequência de não sabermos manejar a nossa própria mente e emoções.
Da próxima vez em que se pegar a sofrer por uma circunstância da sua rotina — seja pelo trabalho, pelos boletos ou pelas relações —, lembre-se: a vida é apenas um fenômeno. Pare de se deixar esmagar por ela e escolha, com consciência, aprender a surfá-la.
Usamos cookies essenciais para o funcionamento do site e cookies não essenciais para análise e melhorias. Você pode aceitar ou recusar o uso de cookies não essenciais.