A maternidade é, talvez, a jornada mais contraditória da existência humana...
Por Dianna Moura / @diannamoura_selfterapias
20 de Maio de 2026 às 07:00
Nós celebramos cada centímetro a mais na parede, cada dente que nasce, cada palavra nova que surge no vocabulário. Mas, no fundo, existe um luto silencioso que ninguém nos ensina a processar. A impermanência.
A parte mais difícil não são as noites sem dormir ou a exaustão física. É perceber que você não consegue manter nenhuma versão deles. O tempo é um ladrão implacável, mas muito gentil. Aquele bebê recém-nascido, que cabia perfeitamente no seu peito e cujo cheiro parecia ser a única coisa real no mundo, ele se foi. Ele não morreu, ele apenas evoluiu. Mas, ao fazer isso, aquela versão específica deixou de existir para sempre.
Essas versões "saem em silêncio". Não há um aviso prévio. Você não acorda sabendo que aquela será a última vez que ouvirá a pronúncia errada de uma palavra ou a última vez que eles pedirão colo daquele jeito específico.
A criança de rosto sujo que descobre o mundo, a vozinha doce chamando "mamãe" no corredor... tudo isso é temporário. O luto da maternidade é único porque você sente saudade de alguém que ainda está vivo e na sua frente, mas se transformou totalmente em poucos meses.
Ninguém nos prepara para a intensidade de amar alguém que está mudando constantemente. É como tentar segurar água entre os dedos; por mais que você aperte as mãos, a forma muda.
Cada versão que se vai é substituída por alguém novo, que amaremos com a mesma — ou talvez maior — profundidade. É um ciclo infinito de "conhecer" o seu próprio filho novamente. Essa transformação é tão veloz que, muitas vezes, só percebemos quando olhamos uma foto de pouco tempo atrás e nos perguntamos: "Para onde foi aquela criança?".
A parte mais difícil da maternidade é, simultaneamente, a sua maior beleza: o privilégio de ser a testemunha principal da evolução de um ser humano.
Dói perder as versões passadas? Sim, dói como poucas coisas. Mas é nessa dor, nesse luto das pequenas mortes cotidianas, que reside a prova mais pura do amor incondicional. Criar um filho é, em última análise, a arte de se tornar mestre em deixar ir, para poder se apaixonar, repetidas vezes, por quem eles estão se tornando hoje.
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