Já experimentou fechar os olhos e gritar o seu próprio nome dentro da sua cabeça?...
Por Dianna Moura
30 de Julho de 2026 às 07:00
Já experimentou fechar os olhos e gritar o seu próprio nome dentro da sua cabeça? E se tentar fazer exatamente o mesmo, mas num sussurro quase imperceptível? Agora, se imagine caminhando numa praia num dia quente de verão, sentindo a brisa no rosto, a água fresca a bater na pele e os grãos de areia escorrendo entre os seus dedos.
Ainda que este cenário não esteja a acontecer fisicamente à sua volta, a sua mente consegue simular as sensações com um realismo impressionante. A este fenómeno dá-se o nome de Imersão Imaginativa.
A imersão imaginativa é a capacidade natural do nosso cérebro de criar ou recriar cenários internos e vivenciá-los com enorme intensidade. É por esta razão que o pensamento e a emoção estão profundamente interligados: quando imagina algo de forma vívida, o seu corpo e o seu sistema nervoso reagem como se aquilo estivesse acontecendo no momento presente.
No entanto, este mecanismo que nos permite sonhar e criar também tem um lado desafiante. Assim como a mente consegue evocar a sensação do mar ou da areia, também consegue projetar pensamentos difíceis. Quando surge um pensamento como "vai dar tudo errado", "sou um fracasso" ou "eles vão me rejeitar", a mente muitas vezes não distingue o pensamento da realidade. A isto chamamos Fusão Cognitiva.
Na fusão cognitiva, ficamos tão presos à narrativa mental que o corpo reage de imediato: o coração acelera, surge a ansiedade, o medo ou a vergonha, mesmo antes de qualquer rejeição ou falha real ter acontecido no mundo físico. O pensamento e a realidade fundem-se de tal forma que parecem uma e a mesma coisa.
A boa notícia é que existe uma forma de sair deste ciclo automático: a Desfusão Cognitiva.
Através da própria imaginação e da tomada de consciência, podemos aprender a observar os pensamentos, em vez de nos misturarmos com eles. A desfusão cognitiva permite-nos perceber que um pensamento negativo não é um facto incontestável nem um destino inevitável. É apenas uma palavra, uma imagem, uma frase ou uma memória a passar pela nossa mente.
Ao desenvolver esta aptidão, deixamos de ser reféns da ansiedade antecipatória. A mente deixa de ser um tribunal severo e passa a ser uma ferramenta que podemos direcionar com intenção, sabedoria e equilíbrio emocional.
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