Existe uma antiga fabula taoísta que ilustra com perfeição o modo como lidamos com os imprevistos da vida...
Por Dianna Moura
11 de Agosto de 2026 às 07:00
Existe uma antiga fabula taoísta que ilustra com perfeição o modo como lidamos com os imprevistos da vida. A história conta que um fazendeiro chinês viu seu único cavalo fugir para as montanhas. Logo em seguida, os vizinhos correram até ele para lamentar: "Nossa, mas que azar!". E o fazendeiro, sem se abalar, apenas respondeu: "Talvez...".
Dias depois, aquele mesmo cavalo voltou para o sítio acompanhado de vários outros cavalos selvagens. Os vizinhos, extasiados, foram correndo celebrar: "Nossa, isso é muita sorte! Você ficou rico!". O fazendeiro olhou para eles, calmo, e disse novamente: "Talvez...".
Passaram-se mais alguns dias e o filho do fazendeiro, ao tentar domar um dos novos cavalos selvagens, acabou caindo feio e quebrando a perna. Os vizinhos voltaram para prestar solidariedade: "Nossa, que tragédia, que azar!". E o fazendeiro, mais uma vez, disse: "Talvez...".
Logo depois, o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram convocados para o exército — menos o filho do fazendeiro, já que estava com a perna quebrada e convalescendo. Os vizinhos apareceram surpresos e disseram: "Nossa, mas que sorte a sua!". E a resposta do fazendeiro continuou a mesma: "É... talvez."
A verdade é que nós costumamos ser extremamente precipitados ao julgar os acontecimentos da nossa vida. Temos a mania de carimbar instantaneamente cada situação como algo estritamente "bom" ou "ruim". Só que a vida é muito mais complexa do que isso.
Quantas vezes uma grande perda ou uma porta fechada se revelaram, lá na frente, como um dos maiores ganhos e livramentos da nossa história? E do mesmo modo, quantas coisas que nós julgamos como o "sucesso absoluto" terminaram por nos afastar do nosso verdadeiro propósito e de uma felicidade real?
A vida tem o seu próprio ritmo, e existem coisas que somente o tempo é capaz de revelar — nuances que a nossa ansiedade e o nosso imediatismo simplesmente não conseguem enxergar quando acontecem. Por isso, da próxima vez que algo der errado — ou muito certo —, lembre-se do fazendeiro taoísta. Respire fundo, desacelere o julgamento e deixe o tempo mostrar a história completa.
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