O maior professor da área fiscal que conheci foi o meu pai
Estamos nos aproximando do Dia dos Pais e...
Por Renato Ritton
06 de Agosto de 2026 às 08:30
Estamos nos aproximando do Dia dos Pais e, nesta semana, eu me peguei refletindo sobre uma das pessoas que mais influenciaram a minha vida profissional.
O maior conhecedor da área fiscal que tive a oportunidade de conhecer foi o meu pai.
Foi ele quem me apresentou esse universo da legislação tributária, dos livros fiscais, das normas e da importância de fazer as coisas da maneira correta. Muito antes de eu imaginar que faria da contabilidade a minha profissão, ele já me mostrava que o setor fiscal exigia muito mais do que conhecimento técnico. Exigia disciplina, responsabilidade e respeito pelas informações.
Na época, confesso que nem sempre compreendia a forma como ele ensinava. Como acontece com muitos filhos, algumas lições só fizeram sentido anos depois.
Hoje, olhando para trás, percebo que grande parte do profissional que me tornei nasceu daqueles primeiros ensinamentos.
Mais do que explicar leis e impostos, meu pai me ensinou uma forma de enxergar a profissão. Ele acreditava que quem estuda, se prepara e conhece a legislação antes dos outros consegue tomar decisões melhores.
Essa reflexão faz muito sentido no momento que estamos vivendo.
A Reforma Tributária está mudando profundamente a forma como as empresas serão tributadas nos próximos anos. Muita gente acredita que essas mudanças só começarão a produzir efeitos em 2027. Na prática, as decisões começam agora.
Um bom exemplo são as empresas optantes pelo Simples Nacional.
Nos próximos meses, esses empresários precisarão analisar com atenção qual será o caminho mais adequado para o futuro do seu negócio. Permanecer no modelo tradicional ou optar pelo regime regular, com recolhimento da CBS e do IBS fora do Simples, é uma decisão que não deve ser tomada na última hora.
Essa escolha depende da atividade da empresa, do perfil dos clientes, da estratégia de crescimento e de diversos fatores que precisam ser avaliados com calma.
Quem deixa para estudar apenas quando o prazo está terminando normalmente perde a oportunidade de decidir com tranquilidade.
Enquanto preparava o programa desta semana, pensei que, se meu pai estivesse aqui hoje, provavelmente estaria fazendo exatamente o que sempre fez: estudando a nova legislação, comparando regras, analisando detalhes e buscando compreender todos os impactos antes de orientar alguém.
Esse sempre foi um dos maiores ensinamentos que recebi dele: conhecimento não serve para impressionar. Serve para orientar decisões.
É exatamente essa visão que procuro levar para os empresários todos os dias.
A contabilidade não deve ser lembrada apenas quando chega a guia de impostos. Ela precisa estar presente nas decisões que determinam o futuro da empresa.
Neste Dia dos Pais, minha homenagem vai para o homem que despertou em mim o gosto pela área fiscal e que, mesmo sem imaginar, ajudou a construir a base da profissão que exerço até hoje.
E deixo também um convite aos empresários: não esperem setembro para começar a entender as mudanças da Reforma Tributária.
Conversem com o seu contador. Estudem as possibilidades. Planejem com antecedência.
Porque, no mundo empresarial, quem se prepara antes normalmente decide melhor.
E essa talvez tenha sido a maior lição que meu pai me deixou. Conhecimento, quando colocado em prática, se transforma em segurança, crescimento e boas decisões.
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