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Imagem: Real Fm
Quando se fala em Reforma Tributária, uma das primeiras perguntas que escuto dos empresários é: “Renato, quanto eu vou pagar de imposto?”
É uma pergunta importante. Evidentemente, precisamos saber quanto uma empresa vai pagar...
Por Renato Ritton
13 de Agosto de 2026 às 08:30
É uma pergunta importante. Evidentemente, precisamos saber quanto uma empresa vai pagar.
Mas eu acredito que o empresário precisa começar a fazer uma segunda pergunta, talvez até mais importante:
Como a minha empresa pode ganhar dinheiro com a Reforma Tributária?
E não estou falando de mágica tributária, muito menos de deixar de pagar imposto que é devido.
Estou falando de usar as novas regras para comprar melhor, formar melhor o preço, escolher melhor os fornecedores, aproveitar corretamente os créditos e tomar decisões empresariais melhores.
Não olhe apenas para o preço da compra
Uma das mudanças importantes trazidas pela Reforma está na lógica dos créditos tributários.
No novo modelo de IBS e CBS, dentro do regime regular, diversas aquisições realizadas pela empresa poderão gerar créditos que serão utilizados na apuração desses tributos, respeitadas, naturalmente, as regras estabelecidas pela legislação.
Isso significa que o empresário precisará começar a olhar não apenas para o preço que paga por uma mercadoria ou serviço, mas para o custo líquido daquela compra.
Imagine dois fornecedores oferecendo produtos semelhantes.
Um vende por R$ 10 mil.
O outro vende por R$ 10.300.
Olhando exclusivamente para o preço, a decisão parece óbvia: comprar de quem vende por R$ 10 mil.
Só que essa análise pode estar incompleta.
Quanto de crédito tributário existe em cada operação?
Qual é o regime tributário de cada fornecedor?
A empresa poderá efetivamente aproveitar esses créditos?
Depois de considerar tudo isso, qual será o custo real daquela aquisição?
Não significa que a compra de R$ 10.300 será necessariamente melhor. Significa que, a partir de agora, comparar apenas os dois preços pode não ser suficiente para tomar a melhor decisão.
É preciso fazer conta.
E é justamente aí que pode existir dinheiro sendo ganho ou perdido.
Seu cliente também fará essa conta sobre você
Existe ainda o outro lado dessa história.
Sua empresa não é apenas compradora. Ela também vende.
E os seus clientes poderão começar a fazer exatamente a mesma análise sobre os produtos e serviços que compram de você.
Isso será especialmente relevante nas relações entre empresas.
O cliente poderá deixar de analisar somente quanto você cobra e começar a avaliar quanto aquela compra efetivamente custa depois dos créditos tributários que ela proporciona.
Isso interfere diretamente em negociação, formação de preço, escolha de fornecedores e competitividade.
Por isso, a Reforma Tributária não deve ser tratada exclusivamente como uma mudança na maneira de calcular impostos.
Ela também pode alterar relações comerciais.
E como fica o Simples Nacional?
Esse é outro ponto que merece muita atenção.
Com a Reforma Tributária, empresas optantes pelo Simples Nacional poderão permanecer com IBS e CBS dentro da sistemática do próprio Simples ou, observadas as regras aplicáveis, optar pelo regime regular desses tributos.
E não existe uma resposta pronta sobre qual alternativa será melhor.
Depende da realidade de cada empresa.
Quem são seus clientes?
A empresa vende principalmente para pessoas físicas ou para outras empresas?
Seus clientes aproveitam créditos tributários?
Como são suas compras?
Quanto crédito a própria empresa poderia aproveitar?
Qual é sua margem?
Como seus preços são formados?
Antes de decidir, tudo isso precisa entrar na conta.
Escolher um regime simplesmente porque a alíquota aparentemente parece menor pode levar a uma decisão ruim.
A formação de preço também vai mudar
Esse talvez seja um dos pontos que mais me preocupam.
Tem empresário imaginando que bastará pegar sua tabela atual e acrescentar algum percentual para compensar os novos tributos.
Não é tão simples.
Se aumentar demais o preço, pode perder competitividade.
Se não recalcular corretamente, pode continuar vendendo bastante e descobrir depois que sua margem diminuiu.
O empresário precisará entender o efeito dos débitos e créditos sobre sua operação e descobrir quanto realmente precisa cobrar para preservar uma margem saudável.
É por isso que tenho insistido tanto na importância de conhecer margem, custo e formação de preço.
Reforma Tributária também é estratégia empresarial
Quando começamos a olhar a Reforma dessa maneira, percebemos que ela vai muito além do departamento fiscal.
Ela chega às compras.
Chega às vendas.
Chega aos fornecedores.
Chega à formação de preços.
Chega à margem.
E chega à estratégia comercial.
Talvez exista dinheiro sendo desperdiçado porque a empresa compra mal.
Talvez existam créditos que precisam ser considerados.
Talvez um fornecedor deixe de ser tão interessante quanto parecia.
Talvez determinado produto precise ter seu preço completamente revisto.
Talvez o regime tributário precise ser reavaliado.
Essas são decisões que podem colocar ou retirar dinheiro do caixa.
Por isso, 2026 não deveria ser um ano em que o empresário simplesmente espera a Reforma Tributária acontecer.
É um ano para estudar a própria operação e se preparar.
E minha orientação é bastante prática: converse com a sua contabilidade agora.
Mas não pergunte apenas:
“Quanto eu vou pagar de imposto?”
Pergunte:
“O que precisa mudar nas minhas compras, nos meus preços, nos meus fornecedores e na minha estratégia para que minha empresa aproveite melhor o novo sistema?”
Quando essa conversa começa, a Reforma Tributária deixa de ser apenas uma mudança de imposto e passa a fazer parte da gestão.
E é aí que o empresário pode encontrar oportunidades reais de preservar margem, melhorar sua competitividade e fazer mais dinheiro permanecer dentro da empresa.
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